quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Depois daquele dia


Desde então, eu não me culpo mais por acordar cedo aos domingos;
Desde então, não preciso mais ansiar por uma semana, um convite bobo pra te fazer, por medo do teu não;
Desde então, eu me sinto melhor dentro no meu salto alto, ainda que não fosse importante pra mim;
Desde então, eu lamento não ter que chamado pra ir na igreja aquele dia à noite, em que rezei por ti sozinha;
Desde então, eu entendo mais sobre o que eu gosto, e sobre o que eu me acostumo (crescemos juntos, afinal);
Desde então, eu sinto falta de maldizer teu fogão vagaroso;
Desde então, parei de me culpar por ter muitos amigos;
Desde então, eu quero te dizer que consertei o carro (não foi tão barato quanto você disse que seria, viu?);
Desde então, eu lembro de você e meu coração sente diferente - não é saudade, é paz (bom pra gente, né?);
Desde então eu tenho mais certeza de que é preciso falar sobre o que se sente (tenta mais, por favor. Por mim);
Desde então, eu me pergunto se você tá vendo o sol que eu vejo (e você adora, eu sei);
Desde então, eu ensaio formas menos egoístas de ver teu sorriso;
Desde então, torço para que me esqueça devagar;
Desde então, ficou mais fácil responder às pessoas se eu vou sozinha ou não (que cansaço me causava, acredita?);
Desde então não faço poema, porque não dói. Isso não é poema. É um emaranhado limitado (como eu me sentia ser); é uma cartinha ao pós amor que nunca fui. Mas desde então eu quero escrever; 
Desde então, escolhi não competir. No jogo dos sentimentos, quem começa já perdeu;
Desde então, fiquei aliviada em sair da superfície do meu sentir, ainda que isso tenha te assustado;
Desde então eu tô pra te agradecer. A verdade é que você sabia antes de mim, que eu fico melhor assim, depois de você.

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