Eu sou uma pessoa de muitas dúvidas.
Pergunto-me muito e sempre o porquê das coisas. Seria uma ótima filósofa se
entendesse de filosofia. Mas não; eu só sei de duvidar. No entanto, não duvido
de tudo; acredito, por exemplo, nas pessoas. Acredito nos seus erros, na sua
capacidade intrínseca de dissimulação e na crueldade visceral; acredito também
nas suas risadas homéricas e na sua benevolência... Acredito em gente, sim. De
resto, eu finjo que acredito. É que é preciso parecer normal às vezes; e estar
diluído, silencioso, sem perguntas, é ingrediente da saúde mental. Vez ou outra a vida me
convence e acrescenta mais um item na lista de coisas que acredito. Devo
confessar que ela não tem um método muito sutil de ensino e acaba não sendo
clara. Mas eu entendo, eu quase sempre entendo o recado. Hoje, por exemplo,
entendi que os momentos mais difíceis que me aconteceram, os caminhos mais
duvidosos e tortos que percorri, foram aqueles em que as ausências de fé e
gratidão estiveram presentes. Ter fé é absolutamente preciso. Eu que duvido
tanto, tive que engolir que as ocasiões em que acreditei mais (em Deus, no
cosmos, no mundo, no destino) foram as mais leves da caminhada e, querendo ou
não, me trouxeram as coisas e pessoas pelas quais devo ser grata. Talvez o que
me falte seja a compreensão primeira de que ter fé não é uma simples espera
confortável e passiva, mas o aceite de que minha humana pequenez não permite o controle
do todo. E às vezes, só às vezes, é redentor jogar a vida no colo de outrem que
saiba o que fazer quando eu já não sei mais, nesse difícil trânsito entre a
responsabilidade e a humildade. Duvidar é preciso, mas acreditar é dar crédito à
vida, é crer que, apesar dos muitos planos que eu tenho pra ela, há muitos que
ela tem pra mim também – melhores. quinta-feira, 13 de junho de 2013
?!
Eu sou uma pessoa de muitas dúvidas.
Pergunto-me muito e sempre o porquê das coisas. Seria uma ótima filósofa se
entendesse de filosofia. Mas não; eu só sei de duvidar. No entanto, não duvido
de tudo; acredito, por exemplo, nas pessoas. Acredito nos seus erros, na sua
capacidade intrínseca de dissimulação e na crueldade visceral; acredito também
nas suas risadas homéricas e na sua benevolência... Acredito em gente, sim. De
resto, eu finjo que acredito. É que é preciso parecer normal às vezes; e estar
diluído, silencioso, sem perguntas, é ingrediente da saúde mental. Vez ou outra a vida me
convence e acrescenta mais um item na lista de coisas que acredito. Devo
confessar que ela não tem um método muito sutil de ensino e acaba não sendo
clara. Mas eu entendo, eu quase sempre entendo o recado. Hoje, por exemplo,
entendi que os momentos mais difíceis que me aconteceram, os caminhos mais
duvidosos e tortos que percorri, foram aqueles em que as ausências de fé e
gratidão estiveram presentes. Ter fé é absolutamente preciso. Eu que duvido
tanto, tive que engolir que as ocasiões em que acreditei mais (em Deus, no
cosmos, no mundo, no destino) foram as mais leves da caminhada e, querendo ou
não, me trouxeram as coisas e pessoas pelas quais devo ser grata. Talvez o que
me falte seja a compreensão primeira de que ter fé não é uma simples espera
confortável e passiva, mas o aceite de que minha humana pequenez não permite o controle
do todo. E às vezes, só às vezes, é redentor jogar a vida no colo de outrem que
saiba o que fazer quando eu já não sei mais, nesse difícil trânsito entre a
responsabilidade e a humildade. Duvidar é preciso, mas acreditar é dar crédito à
vida, é crer que, apesar dos muitos planos que eu tenho pra ela, há muitos que
ela tem pra mim também – melhores. segunda-feira, 29 de abril de 2013
Doente dos olhos.
Entendo
que estive errada. É que sou desajeitada mesmo, desculpe-me. Minhas falas, e
muitas vezes meus silêncios, são irrefletidos; pouco eles têm a ver com sabedoria. Vezes
dão certo, muitas outras não. Minha bagagem me ajuda quase nada; na verdade, me
confunde ainda mais. As palavras e ações me absorvem muito mais do que eu à
elas.
Já
fui mais espantada. Já me surpreendi mais e confesso que essa atitude me
causava uma felicidade mais contempladora, como se eu fosse desempacotando o
mundo aos poucos, para protelar essa sensação agridoce que é saber um pouco
mais. Hoje sou menos afetada, menos curiosa. Mas ainda é latente em mim alguns
lampejos de alegria quando descubro algo novo, ainda que não seja bom. Porque
saber é uma sensação ambivalente. É uma escolha atrevida, que tira a calma.
Sorte minha é que ainda sei pouco. Quanto mais leio, ouço, vivo... Menos sei.
Viver cada vez mais e saber cada vez menos pode ser bem assustador. Os anos
ajudam no corriqueiro, no trivial, no trato com as pessoas previsíveis e pobres
de alma, é a isso que damos o nome de experiência: Quando as coisas deixam de
ser novidade apenas pelas estatísticas. Mas, pra quem se dispõe a pensar sobre
o mundo, há sempre uma surpresa, um apavoramento. Muitas vezes desejei me
colocar junto aos tantos que vejo, que apenas fazem o que precisa ser feito e
enxergam as coisas tal qual elas se apresentam. Eu não; eu quero enxergar o que
não se mostra e por isso penso, penso... Não me admira que de tanto pensar, eu esqueça de sentir. Pessoa já havia dito: “pensar é estar doente dos olhos”.
Por isso estou aqui, com esses olhos enfermos, que querem enxergar beleza em
tudo, mas boicota o belo com o pensamento. Não há nada que deixe as coisas mais
insossas do que a racionalidade. Só as crianças é que são felizes.
domingo, 28 de abril de 2013
Gente.
Às vezes não sobra muito mesmo. Mas, no fundo, sempre
tem alguma coisa. Sempre tem um fiapo, um cheiro impregnado na ponta dos dedos,
quando se abraça o pescoço. Sempre sobra aquele olhar que sobreviveu aos três
segundos, e pode fazer com que aquele rosto seja um dia reconhecido. Sobra um
sorriso meio sem querer, um “desculpa” depois do esbarrão... Sobra um toque
descuidado e despercebido, não tem jeito... Sempre sobra um restinho de gente
na gente. Restinhos que vão se acomodando, como tijolos na nossa construção.
Aumentando o espaço, o gosto de gente, o gosto por gente. Gente de todo jeito,
que vem e logo vai, que foi sem nunca ter vindo; gente que te enrola e você
fica querendo; gente que te adora e você vai perdendo; gente que dura um
segundo e vale muito; gente que dura uma vida inteira e custa caro; gente que
nem sabe o tamanho que ocupa em você; gente que nunca vai saber... Gente que
você já esqueceu; gente que você perdeu; gente que te queria perto e você nem
percebeu; tem gente que vai e te leva; tem gente que você carrega e pesa; tem
gente que some e você agradece; gente pra quem você faria uma prece... Gente
que te faz, e gente que te desfaz; gente que nunca mais vai fazer; mas fez.
Gonzaguinha já disse o que eu queria dizer, em melhores
palavras e final: “[...] aprendi que se depende sempre de tanta, muita,
diferente gente; toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras
tantas pessoas, e é tão bonito quando a gente entende que a gente é tanta gente
onde quer que a gente vá; e é tão bonito quando a gente sente que nunca está
sozinho por mais que pense estar [...]”.
terça-feira, 19 de março de 2013
Sobre o tempo (ou sobre o medo).
Às vezes tenho medo. Um medo daqueles de dar medo. Medo de
não haver tempo, porque hoje eu sei que não há. Eu precisaria de mais vidas
para experimentar, sentir, gozar e, por que não, doer tudo que quero. Há tanto
sentido espalhado sem sentido nenhum. Há tantas pessoas que eu gostaria de
conhecer, tantas profissões que eu gostaria de exercer, tanto tudo que eu nada
sei dizer. Há tanta coisa pra saber, tantas ciências pra nascer, tantos filmes,
livros pra ler... Mas não há tempo. Não falo das horas, dos minutos e de toda
essa metodologia pragmática e racional a que o tempo foi submetido. Falo do
tempo. O tempo não é medido. É sentido. As horas, percebemos no azedume de uma
segunda-feira bege. Os meses, posso medir pela caixa do correio, que acusa mais
uma conta a ser paga. Mas o tempo? O tempo eu só percebo quando falta. E ele
não falta na correria cotidiana. Ele falta quando percebo as linhas que
contornam meus olhos, cada vez mais profundas, mostrando um rosto diferente no
espelho numa manhã sonolenta qualquer; ele falta quando vejo que meus sobrinhos
já têm preocupações parecidas com as minhas. O tempo falta quando eu me deparo
com cartas e bilhetes antigos de uma gente que já foi a mais importante do
mundo; falta quando encontro dificuldade em me reconhecer em fotos da infância,
ou quando descubro manuscritos meus onde eram colocadas bolinhas, ao invés de
pingos nos “i’s”. Foi por isso que senti medo. Porque num ato suicida, eu
esqueço que o tempo está aqui, com suas mãos pousadas no meu ombro, e ainda
assim só consigo vê-lo no que já fui, e no medo que tenho de não conseguir ser
tudo que quero. Medo porque, burramente, enxerguei o tempo como quem enxerga as
horas, com certo desdém. Esperei o tempo chegar e agora só o vejo ir. É como se
houvesse uma tarja preta e o trecho reservado para a vivência do tempo agora,
não existisse. Assim, fico sem saber se viver o tempo não será justamente esse
seu esquecimento. Se ele passa, como passa uma pipa perdida, carregando a vida
da gente da melhor forma, sem exigir grandes reflexões; ou se é a gente que tem
que puxar o fio e levar o tempo pra onde achar melhor, tentando fazer caber
nessa fôrma tudo que a gente quer ser, ver, viver. Confesso que eu sempre quis
levar o tempo, mas não consegui muito mais do que deixar que ele me levasse...
Apressado, como ele só sabe ser. domingo, 10 de março de 2013
Pro dia nascer feliz?
Eu sentei na beira-mar e fixei meus olhos cansados no
horizonte. Eu sabia que ele estava ali. Eu sabia que ele viria. Já dava para
ver a ponta das nuvens mais luminosas, premeditando o evento. Eu queria
tanto... Já fazia tanto tempo que aquilo não me acontecia. E era tão bom... No
fundo, penso que ele também me queria ali. São poucas as pessoas que o vêem
daquele jeito. Eu queria vê-lo tal qual ele quisesse ser visto. Eu o aceitaria
como se mostrasse. E só aquele ato de confiança, o ato de enxergar, sem medo,
mesmo que ele pudesse ofuscar, mesmo que não correspondesse às expectativas, só
aquele ato, já era impregnado de um afeto que me lembro poucas vezes de ter
sentido. Mas os minutos foram cruéis e longos e muitos. E, em cascata,
trouxeram uma apatia que tomou o lugar do ânimo. O sono me acometeu. Eu não entendi
o porquê da sua demora, ainda que pudesse imaginar os motivos da ausência de explicações.
Eu o queria muito, mas meu corpo exausto, que já vive em guerras com a minha
mente, mandou-me ir. E eu fui. O caminho me distraiu, reparei nas pedras, nas
plantas, no calçamento. Também eram belos e cumpriram seu papel. Deve ter sido
a mesma distração que ele teve com as nuvens, com o outro lado do hemisfério ou
qualquer outro motivo que construiu o atraso. Nos demos as costas. Quando cheguei
em casa, finalmente pude enxergá-lo enfiando seus feixes de luz pela janela. Já
não adiantava mais. Estávamos em direções opostas agora... Eu talvez fique
sempre na esperança de vê-lo chegar. E ele talvez fique sempre na esperança de
me ver na beira-mar, esperando. Poderia mesmo ter sido um encontro
interessante. Mas não foi. Se ainda fizer sentido, qualquer dia desses, quem
sabe.quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Vem cá, amigo.
Vem cá, amigo. Isso, sem medo. Pode deitar tua cabeça no meu colo. Não te preocupes se as tuas lágrimas
molharem minhas pernas, eu não me importo. Não me importo que teu nariz fique
escorrendo ou que o teu rosto consiga ficar feio tamanha dor que ele exprime.
Eu vou desviar os olhos quando perceber que você está constrangido ao ter
feito um barulho estranho por tanto chorar. Te trago um copo d'água depois, se a gente tiver tempo. Mas vem aqui. Deixa eu te ver, deixa eu saber de ti, deixa eu
te prometer que vai ficar tudo bem, mesmo que eu não acredite. Deixa eu acompanhar, deixa eu carregar um
pouquinho do teu sofrimento enquanto tu choras. Se puder, perdoe meu
silêncio. É que contemplar tua angústia faz nascer outra terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
"Amor inventado"
O que me provoca não sei bem, mas permita-me tentar: Talvez um afetamento afetuoso que te apodera do meu sorriso, te empossa gestor do meu ânimo e da minha obsessão por John Mayer ecoando pelo quarto quando estou sozinha. Talvez um tesão bipolar, que oscila na frequência deficiente com que te vejo. Talvez seja um fraterno sentimento que me faz querer para sempre a tua influência sobre mim e, bem por isso, por essa medida de tempo que não existe, por esse "para sempre" que teimo em desejar à tudo que é bom de sentir... Por isso, meu bem, não te quero personagem do meu amor romântico. Te quero assim, como essa entidade que traz possibilidade do meu controle, que criei do meu tamanho e, portanto, para mim, perfeito. Inventei um sentimento que te faz presente sempre que quero, mas não dói na tua ausência, ou quando outras bocas te bebem. Prefiro a gente assim, criadora e criatura, e só. A paixão estragaria tudo. A paixão faria eu me apaixonar e eu teria que perder você, porque é assim que acontece. Te amo por mim. É um amor de propósito, premeditado. Te amo porque não te quero. Tenho as ideias liquidificadas de quem ama, mas não tenho a apatia e cólera dos que sofrem. Tenho teu sorriso sincero, sem os vícios e receios que talham a verdade nos relacionamentos amorosos. Tenho a possibilidade de ousadia, que arranca o medo de você se reconhecer nessas linhas, porque confio no que sinto. Confio em você. Vez ou outra te refaço, é verdade... É que te quero bem; te quero cuidar e quero o tanto quanto tu possas me afetar. Te quero, principalmente, por esse não querer. E é assim que deixo nossa relação perto da eternidade, que não existe. Como tudo isso.
Assinar:
Postagens (Atom)


